Sexta edição reúne artistas como Metá Metá, Assucena, Djuena Tikuna, Faizal Mostrixx, Purahéi Soul, Otros Aires e mais de 30 convidados; programação formativa traz nomes como Uýra, Sérgio Amadeu, Giselle Beiguelman e Tarcízio Silva
Nos dias 24 e 25 de julho, Ouro Preto recebe a sexta edição do MARTE Festival, que reúne artistas, pesquisadores, músicos e criadores do Brasil, Paraguai, Argentina e Uganda em uma programação gratuita que conecta música, arte e tecnologia. Guiado pelo conceito “O Futuro é Ancestral — e vem do Sul Global”, o festival ocupa a Praça Tiradentes, o Museu da Inconfidência e a Casa Câmara com shows, conferências, performances, laser mapping e encontros voltados à criação contemporânea.
A edição de 2026 apresenta um dos line-ups mais abrangentes da trajetória do festival. Na programação artística estão Metá Metá, Assucena, Djuena Tikuna, Purahei Soul (Paraguai), Otros Aires (Argentina), Estela Ceregatti, Catalina Telerman (Argentina), Craca & Sandra X, Faizal Mostrixx (Uganda), Félix Robatto e a Cia Base Vertical com o espetáculo de laser mapping de Homem Gaiola. Paralelamente, o MARTE Lab reúne artistas, pesquisadores, músicos e especialistas para discutir temas como espiritualidade, inteligência artificial, racismo algorítmico, patrimônio, criação musical, memória, cultura digital e os desafios da produção artística contemporânea.
Desde sua criação, em 2017, o MARTE investiga as relações entre arte, música e tecnologia entendendo tecnologia em seu sentido mais amplo: como técnica, conhecimento e linguagem aplicada à criação. Em 2026, essa perspectiva ganha um novo eixo ao deslocar o olhar para o Sul Global como espaço de produção de conhecimento, experimentação artística e invenção cultural.
“O Marte nasceu em 2017 como uma pergunta sobre o que a tecnologia poderia fazer com as artes, especialmente a música. De Mariana a Ouro Preto, de shows piloto a artistas de Uganda, Argentina, Paraguai e Brasil, seis edições nos trouxeram a uma afirmação necessária: o futuro não está à frente, ele está nas raízes. Na nossa 6ª edição, propomos que os territórios do Sul Global têm formas de criar, resistir e imaginar que o mundo precisa conhecer. O futuro é ancestral e vem do Sul Global”, afirma Carol Daves, uma das idealizadoras e curadoras do festival.
“A Claro tem orgulho de ser patrocinadora oficial desde as primeiras edições do MARTE Festival, um evento que se consolidou como referência ao unir arte e inovação em Minas Gerais, mostrando que a cultura e a tecnologia andam juntas. Estar em Ouro Preto, uma cidade histórica tão importante, reforça o nosso compromisso de valorizar e investir na região. Para a 6ª edição, preparamos uma experiência diferenciada para o público. Estruturamos o Espaço Claro com mobiliário de descanso, totens para fotos, pontos de recarga, além de levarmos uma iniciativa de recolhimento de lixo eletrônico. Também promoveremos ações de relacionamento exclusivas, além de garantir a melhor experiência de conectividade para que os artistas e o público compartilhem tudo em tempo real”, afirma Carlos Valle, diretor da Claro para a regional Minas Gerais.
O MARTE Festival é uma produção da Ultra Music, em coautoria com a Casa 29 Produtora e a Atma Music, com patrocínio da Claro. O projeto conta com o apoio da Prefeitura de Ouro Preto, da UBC (União Brasileira de Compositores), do Museu da Inconfidência e da FAOP (Fundação de Arte de Ouro Preto), e realização por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.
Uma programação que percorre diferentes territórios do Sul Global
A programação musical foi construída como um percurso entre diferentes geografias, tradições e linguagens sonoras. Na sexta-feira (24), a celebração tem início com o cortejo da Guarda de Congo de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia do Alto da Cruz, percorrendo o trajeto da Casa Câmara em direção à Praça Tiradentes. Em seguida, o palco recebe Djuena Tikuna, uma das principais referências da música indígena contemporânea brasileira. Natural da Terra Indígena Umariaçu, no Alto Solimões, a cantora já se apresentou na abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, na Sala São Paulo, no MIT, nos Estados Unidos, e na COP 28.
Na sequência, sobe ao palco o duo Purahéi Soul, formado por Jennifer Hicks e Miguel Narváez. Misturando guarani, jazz, blues, folk e música latino-americana, o grupo tornou-se um dos principais representantes da nova música paraguaia. Em 2026, ganhou projeção internacional ao interpretar o Hino Nacional do Paraguai na cerimônia de abertura da Copa do Mundo FIFA 2026, em Los Angeles, levando sua fusão entre tradição e contemporaneidade a uma audiência global.
Entre os shows, o festival recebe novamente a Cia Base Vertical com performances verticais, além do espetáculo de laser mapping do Homem Gaiola, que transforma o edifício histórico do Museu da Inconfidência em suporte para projeções monumentais. Ainda na sexta-feira, Assucena apresenta o espetáculo Coração Americano, dedicado ao cancioneiro latino-americano. Acompanhada por Rafael Acerbi e Vitória Faria, a cantora percorre repertórios que aproximam compositores brasileiros e latino-americanos, revelando afinidades culturais construídas ao longo do continente.
Encerrando a primeira noite, o grupo argentino Otros Aires apresenta o espetáculo Tango Mundi. Criado por Miguel Di Genova, o projeto tornou-se referência internacional ao combinar tango, música eletrônica, instrumentos acústicos, videomapping e arte visual.
No sábado (25), a programação começa com Estela Ceregatti, cantora, compositora e pesquisadora que desenvolve um trabalho voltado às culturas populares brasileiras e às experimentações sonoras. Na sequência, a argentina Catalina Telerman apresenta canções autorais que transitam entre música popular, composição contemporânea e experiências vocais.
A noite segue com Metá Metá, um dos grupos mais importantes da música brasileira contemporânea. Formado por Juçara Marçal, Thiago França e Kiko Dinucci, o trio tornou-se referência internacional ao aproximar música afro-brasileira, free jazz, rock, improvisação e experimentação sonora. O festival recebe, ainda, Craca & Sandra X, dupla que desenvolve uma pesquisa voltada à música eletrônica experimental, performance e manipulação sonora em tempo real.
Na sequência, o ugandense Faizal Mostrixx leva ao MARTE uma das produções mais inovadoras da cena africana contemporânea. DJ, produtor, performer e dançarino, Mostrixx articula música eletrônica, afrofuturismo e referências espirituais africanas.
O encerramento da edição fica por conta de Félix Robatto, músico, produtor e pesquisador paraense cuja trajetória acompanha parte da história recente da música amazônica. Fundador da banda La Pupuña, criador da Lambateria e produtor musical de Gaby Amarantos, Robatto apresenta um repertório que reúne guitarrada, lambada, carimbó e música latino-amazônica.
Pensamento, música e tecnologia no MARTE Lab
A programação formativa acontece na Casa Câmara e reúne pesquisadores, artistas, músicos e especialistas para discutir alguns dos temas que atravessam a produção artística contemporânea.
Na sexta-feira (24), a partir das 14h, o painel Hackear o Futuro: Tecnologia, Ancestralidade e Poder no Sul Global reúne Sérgio Amadeu, Tarcízio Silva e Tatiana Nascimento, sob mediação de Zaika dos Santos. O debate aborda inteligência artificial, plataformas digitais, racismo algorítmico, colonialismo tecnológico e alternativas produzidas a partir das experiências do Sul Global.
Em seguida, às 16h, o painel Arte, Tecnologia e Espiritualidade no Século XXI, reúne Uýra Sodoma, Aline Motta e Giselle Beiguelman, com mediação de Alex Calheiros. O encontro aborda diferentes formas de compreender tecnologia a partir do corpo, da memória, da ancestralidade, da imagem e dos saberes tradicionais.
No sábado (25), o MARTE Lab recebe uma programação realizada em parceria com a União Brasileira de Compositores (UBC), dedicada aos desafios e oportunidades da música no contexto latino-americano. Às 10h, o painel Da Criação à Circulação: Música, Direitos e Futuros Possíveis reúne Carol de Amar, Cláudio Fraga e Marcelo Falcão, com mediação de Bernardo Fabris, para discutir os diferentes mercados da música e o papel estratégico dos direitos autorais na sustentabilidade da criação artística. Às 11h30, a mesa Conexões Latinas, mediada por Carol de Amar, com Fernanda Takai, Geraldo Vianna e Tulipa Ruiz, aborda a força da produção musical latino-americana na cena contemporânea, as possibilidades de circulação internacional e os desafios da proteção de direitos em um mercado cada vez mais conectado.
Seis edições investigando as relações entre arte e tecnologia
Criado em 2017, o MARTE Festival consolidou-se como um dos principais festivais brasileiros dedicados às relações entre música, arte e tecnologia. Ao longo de sua trajetória, passou por Mariana, realizou uma edição integralmente digital durante a pandemia e estabeleceu Ouro Preto como sede permanente.
Em suas cinco edições anteriores, o festival recebeu artistas como João Bosco, Tulipa Ruiz, Curumin, Russo Passapusso, Agnes Nunes, Tuyo, Edgar, Getúlio Abelha, Juçara Marçal, Teto Preto, Fausto Fawcett e Luiza Lian, além de performances, instalações, mappings, oficinas e conferências que contribuíram para ampliar o diálogo entre patrimônio histórico, criação artística e inovação.
Em 2026, o festival aprofunda essa trajetória ao reunir diferentes perspectivas sobre música, tecnologia, território e memória, colocando em circulação artistas e pesquisadores que produzem conhecimento a partir de experiências culturais diversas, sem perder de vista a singularidade de Ouro Preto como espaço de encontro entre passado e presente.
SERVIÇO
MARTE Festival 2026
Data: 24 e 25 de julho de 2026
Shows: Praça Tiradentes – Ouro Preto (MG)
MARTE Lab: Casa Câmara (Rua Alvarenga, 12 — Cabeças, Ouro Preto – MG)
Participação gratuita
Mais informações: https://www.martefestival.com.br/ | @martefestivaloficial
